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A Vogue Itália traz em sua edição de Julho o tema DNA, que tem como proposta apresentar conteúdos sobre identidade, herança e origens familiares no mundo de culturas tão diversas que vivemos hoje. Para isso, a revista italiana convocou Gigi Hadid, Imaan Hammam e Karen Elson para estrelar nas três diferentes capas do editorial do mês. Gigi foi fotografada por Alasdair McLellan, já Imaan e Karen foram clicadas pelas lentes de Theon Sion e Harley Weir, respectivamente.

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Quanto a escolha do tema, a editora chefe Emanuele Farneti afirma que “tanto para Vogue Itália quanto para as marcas da moda, é importante questionar onde está nosso código genético: a resposta está na criatividade, sem compromissos.”

Durante o processo de criação editorial, Hadid realizou um teste de DNA que relevou que a modelo americana possui 21.5% de genes italianos. Com isso, Gigi ainda destaca que seu nome, Jelena, foi inspirado em uma garota italiana que sua mãe conheceu em Capri enquanto estava grávida. Além disso, a modelo possui também origens palestina, herdada de seu pai Mohamed Hadid, assim como holandesa, esta por sua mãe Yolanda Hadid. “Ser árabe e europeia me faz ser mente aberta, me incentivando amar qualquer formação cultural. Abraçar nossas próprias origens nós faz mais tridimensional e seres humanos completos,” disse a americana à revista.

Confira a entrevista completa:

Vogue Itália: Seu nome real é Jelena. Alguém ainda te chama assim?
Gigi Hadid: Minha irmã mais velha e meus pais. Quando eu era pequena, isso acontecia principalmente quando eu fazia alguma besteira.

VI: Qual a origem [do nome]?
GH: Meu Deus, que coincidência, eu tava pensando nisso agora. Tudo começou na Itália: minha mãe estava em Capri, grávida de mim. Em uma praça da aldeia ela viu uma menina linda, a mais linda que ela já tinha visto, ela perguntou seu nome e ela respondeu: ‘Meu nome é Jelena’. Ela sempre me contou dessa forma, com a frase em italiano. Eu me arrepio pensando nisso.

VI: Descobrir suas origens muda o seu senso de vida?
GH: Eu não falaria sobre mudança, mas sim uma afirmação. Toda vez que eu venho pra Itália, eu sinto uma conexão com o jeito que as pessoas se sentem e se comportam. Tudo parece familiar, guardado dentro de mim.

VI: Você achou isso louco?
GH: Eu estava conversando com meu agente quando eu li os resultados, que a Itália tem um papel importante no meu destino. Milão é a cidade que eu desfilo mais vezes, e as marcas italianas são as que mais acreditam e investem em mim. E também tem o meu corpo, que foi aceito pela primeira vez pelo que é.

VI: O que foi difícil de aceitar?
GH: Eu tinha um corpo atlético e forte. Quando eu era mais nova, eu jogava vôlei, e cavalgar a cavalo sempre foi parte da minha vida, meus músculos sempre foram razão de orgulho. No entanto, olhando em volta eu notei que outras modelos não tinham essa aparência. Entretanto, na Itália, eu sempre senti uma grande abertura em relação a minha estética, em todas as mudanças, conforme eu lentamente crescia me tornava uma mulher. A primeira a me dar segurança e conformo ao me olhar no espelho foi Donatella Versace, ‘essa é sua força Gigi’, ela dizia ‘nunca mude’.

VI: Você já sentiu como se algo misterioso e desconhecido estivesse correndo em suas veias?
GH: Meu sonho de infância era me tornar detetive, e essa minha postura se manteve: Eu observo, escuto e absorvo tudo, procurando por verdades mais profundas. Eu constantemente converso comigo mesma, e esse é um lado meu que eu acho que nem todo mundo entende completamente. Eu que os italianos tem uma característica semelhante: o gosto por coisas profundas, misturado com uma atitude positiva sobre a vida.

VI: Quais outras características suas que você sente que são conectadas à Itália?
GH: Uma forma peculiar de entusiasmo, equilibrado com sinceridade e franqueza.

VI: Você acha que bem e mal são genéticos ou isso depende da história de cada um?
GH: Esse é um debate antigo na psicologia, o que define as pessoas, a natureza delas ou sua cultura? Eu acho que ambos influenciam, mas em proporções diferentes. O que você vivência, o ambiente em que cresce, estes são fatores cruciais.

VI: Você gosta de ter o cabelo loiro?
GH: Sim, eles refletem minhas origens holandesa, e eles combinam bem com a grande porcentagem de genes alemães que meu teste de DNA revelou. Eu sou mais de 15% norte européia!

VI: Quando você se olha no espelho, você acha que seu Eu interior se parece com o exterior?
GH: Completamente. Eu também gosto de brincar com isso: quando eu vou para um evento de gala usando um vestido da Versace, eu deixo um outro lado meu se mostrar, já quando eu estou usando jeans e jaqueta de couro, eu deixo o meu lado moleque falar.

VI: Quem você seria hoje se tivesse crescido na Palestina?
GH: Eu seria exatamente a mesma pessoa, por conta da educação que meus pais me deram. Minhas maiores fontes de inspiração são a natureza, criatividade e arte, e eu teria seguido esse caminho lá também.

VI: Você já presenteou alguém com um kit de teste de DNA?
GH: No final de todo ano eu gosto de dar presentes para as pessoas que trabalharam comigo, e eu sempre tento achar algo interessante, que poderia fazer nossa relação sair do campo profissional e criar uma conversa interessante. Eu percebi que esses testes geram sentimentos profundos, então a resposta é sim, da última vez eu dei mais de oito destes [testes de DNA].

VI: E alguém descobriu algum fato louco sobre eles?
GH: Assim que ela recebeu o pacote, uma importante diretora de casting me ligou, contando que ela era adotada e não sabia nada sobre seu passado, nem mesmo o país que ela nasceu. Em respeito a ela, eu prefiro não falar sobre o que ela descobriu, mas essa conversa permitiu que nos aproximássemos e conversássemos sobre experiencias mais intimas, e isso não tinha acontecido antes.

VI: Por que é tão importante procurar suas raízes em uma sociedade multirracial como a americana, onde a diversidade vem sendo sedimentada há séculos?
GH: Pois, no final das contas, mesmo que as tempestades da vida nos dividam, todos nós queremos saber como estamos interligados, todos queremos reconhecer o sentimento de irmandade que talvez tentemos rejeitar, mas que intimamente sentimos correndo em nossas veias. Meu pai é árabe, mas meu teste mostrou que minhas origens asiáticas ocidentais são mais fortes que minhas árabes, por exemplo. São 15% contra 7%, e eu pensei que fosse metade de mim [as origens árabes]. Isso nos ajuda a não basear nossas vidas em considerações do acaso. Isso nos ajuda a celebrar a diversidade, mas também nos mantem juntos ao mesmo tempo.

VI: Você gostaria de ter crianças?
GH: Sim.

VI: Como você os imagina? Você pode descrever?
GH: Eu não me importo com a aparência deles. Mas eu gostaria que fossem criados do jeito que minha mãe me criou, com a chance de nutrir o espirito deles. E eu gostaria que eles fossem uma ponte, como eu era.

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